quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Dia 2 - Universidade de Verão 2009

A primeira aula da manhã do dia 25 foi dada pelo Dr. Miguel Monjardino com a temática "Tensões, conflitos e riscos no Mundo" que, surpreendentemente, teve início com uma música dos R.E.M ("It’s the end of the world as we know it") e com uma troca de reflexões pessoais sobre a mudança e as nossas aspirações para o futuro. Foi uma aula bastante interactiva e constantemente participada, longe da maioria das aulas académicas a que estamos habituados.

O que nos preocupa?

As pessoas que não se preocupam com o Mundo, que vivem sem ter em conta o próximo, sem racionalizar os seus bens, sem ter em conta as novas gerações.

Pobreza nos países desenvolvidos e subdesenvolvidos, medo da mudança, egoísmo, falta de visão global, perda do sonho, conflitos sociais, recursos naturais, falta de solidariedade, falta de combate a pobreza, instabilidade.Estamos optimistas ou pessimistas?

A maioria respondeu que estava optimista e 27 pessoas responderam que estavam pessimistas em relação ao futuro e à evolução das nossas preocupações.

"It’s the end of the world as we know it" – análise da letra da musica dos REM

"Eu sei que a mudança vem aí e não tenho medo, aceito-a." Trata-se da interpretação da mudança pelas novas gerações.
Os jovens são naturais agentes da mudança e nosso papel será mostrar que a mudança está a acontecer.

A Europa tem algo de especial e é por isso que as pessoas vêm ter connosco. Mostramos a insegurança e temos medo do Mundo, apesar de vivermos na Europa e vivermos bem, e isso deve-se sobretudo a não sabermos o que está acontecer. Temos, no fundo, medo de ter menos do que tivemos no passado. Irmos por aí é, no entanto, um risco, por exemplo para Portugal, porque teremos ainda mais dificuldades em trabalhar e viver em países com atitudes proteccionistas, consequência desse tipo de pensamento. Sermos um agente de mudança implica apostar num Portugal aberto ao mundo, o que implica uma população mais educada e criação de riqueza com elevado valor acrescentado.

A mudança da mudança

Antes, a mudança vinha de cima, dos líderes carismáticos e protectores, mas na nossa geração a mudança vem precisamente do sentido contrário, das bases. Criam-se contradições e pressões sobre as lideranças políticas. Temos, por isso, de gerir muito bem as nossas expectativas.

Em Portugal estamos sempre à espera que o Estado faça tudo por nós, enquanto nos EUA, essas expectativas não existem. Temos de libertar o Estado das nossas exigências mais supérfluas e das nossas frustrações.

“Ser ou fazer”

Temos de guiar a nossa direcção. Temos de ser fiéis a nós mesmos e aos nossos amigos ou adoptar uma posição mais agressiva, desprender-se desses valores e subir na vida. Ao optarmos pela primeira, optamos por um caminho mais incerto, mas mais sincero, que levará à mudança ,mas que não dá garantias de mudarmos para melhor.

A mudança, ao partir de baixo, podemos convencer os políticos que temos de apostar na mudança, seja ela mais ou menos positiva e dar confiança social a esses políticos.

Recursos

36% da população na China vive com menos de 1€ por dia. É aproximadamente o mesmo número de pessoas que vive na EU.

Não vamos convencer estas pessoas a continuar pobres, pois estas têm o direito de consumir mais e nós temos o deverd de nos sacrificarmos por elas.

Nuclear

Existem países que, quando tiverem capacidade para produzir energia nuclear, passarão inevitavelmente para a produção de armamento, como o caso do Irão. Não temos, porém, legitimidade para dizer que um país pode, ou não, ter armamento, mas se tiver, isso irá influênciar a estabilidade mundial

Frases do Dr. Miguel Monjardino

“O que era considerado impensável, aconteceu”

“Acho que as pessoas, os nossos líderes não sabem o que está a acontecer. As pessoas que nos deviam explicar o que está a acontecer o também não sabem o que está acontecer. (…) não sabem explicar à vossa geração."

"Tenho dúvidas que uma pessoa só saiba levar-nos ao futuro porque ninguém sabem muito bem o que está a acontecer. Nenhum dos líderes trabalho num sistema tão dinâmico e em constante mudança por isso devem ser os jovens a fazer esta mudança"

"A maior parte de vocês aposta que haverá guerras por causa dos recursos.Tenho dúvidas de que venha a haver guerras por recursos"

"Nenhum político pode prometer que vai criar emprego. Pode sim dar-vos condições para criar emprego. Não se pode criar emprego, pode-se sim criar empresas"

"Somos uma sociedade muito pantanosa e muito reaccionária. (...) Temos de ser uma sociedade que aceite o sucesso"

"Temos de pedir aos governos que crie condições para podermos ser nós a fazer"

"A anedota dos caranguejos - dois pescadores perguntavam-se que caranguejo usavam: um usava caranguejo americano e tinha a tampa do balde fechada porque eles são muito irrequietos e tentam fugir; o outro usava português e tinha o balde aberto...... ao primeiro que tente fugir, os outros puxam-no para baixo"

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